O controlo da mente
A mente humana não é completamente independente, e capaz de seleccionar o que a ela se apresenta. A publicidade é uma das formas de controle da mente, conduzindo o indivíduo numa direcção definida, senda na maioria das vezes, a compra.
Hannah Arendt*, na procura da delimitação das formas do poder, encontra este tipo de poder como o menos legítimo, visto que é baseado na persuasão e sedução imperceptível pelo paciente. A publicidade mais que vender, pretente que o paciente veja o produto/serviço como algo necessário à existência, e como tal, fá-lo fazer sacrifícios para o ter. Posteriormente, procura que o fenómeno se espalhe graças ao contacto com outros pacientes indirectos. Dando o exemplo do telemóvel, que é algo supérfluo (mesmo que útil) à existência humana, é frequente ouvir relatos de pacientes admitindo que “não vivem sem telemóvel”.
Esta forma do poder é subtil mas talvez menos legítima, porque pretende ser coerciva, sem que os pacientes tenham qualquer forma de rebatê-la- pois não existe um agente directo. No padrão actual, o paciente não poderá ignorar, ou mesmo fugir da publicidade, pois ela domina o ambiente que nos rodeia, formando um monopólio (apesar de plural em agentes) do controlo da mente.
Será a publicidade uma consequência directa do livre-arbítrio democrático, e de toda a liberdade a ele subjacente?
*”A Condição Humana”