Monstros de Betão
Todos os dias tenho a consciência que perco cerca de cinco horas da minha vida entre dois pontos de vista. Demoro cerca de duas horas (ou mais) a chegar ao local onde me instruo, e como tal, tento que passe esse tempo da melhor forma possível. Há dias que leio, dias que tento ler, dias que fico descaradamente a olhar para a paisagem com que já me cruzei milhentas vezes - isto, quando posso ir sentada, que apesar de desconfortável, sempre é melhor que ir esmagada contra uma porta ou pessoa.
Contudo, nem tudo é mau - todos os dias temos um desafio novo que nos põe à prova. Quando chego à paragem do autocarro sou sempre alegremente surpreendida com um atraso; o que, me fará andar apressada em busca do tempo que perdi. Depois, encontramos sempre pessoas que nos chamam de mal educados por termos ou malas volumosas, ou livros que incomodam a boa vivência de quem cohabita o mesmo espaço. E ainda me divirto mais com as conversas que circulam no ar (especialmente sobre política- o Estado é isto, o Salazar era aquilo, a crise é assim, o PS é bom porque o líder é “jeitoso”, a união europeia é uma “robalheira”…nada que não mereça um sorriso irónico). - isto ainda nos subúrbios de Lisboa, pois nota-se perfeitamente o ambiente ainda familiar.
A chegada à cidade é clara quando encaramos uma maré de gente olheirenta em passo de corrida para ir para onde quer que seja (há colegas meus que lhes chamam de zombies). Para quem vive no ambiente de uma localidade como São João da Talha, a cidade é equiparada a uma outra dimensão depressiva, doente e poluída - sinto-me Cesário Verde(risos)- ou pelo menos é assim que a vejo. Difícilmente se vê uma pessoa lançar um sorriso de manhã no metro, e muito menos cumprimentar quem espera um autocarro com um “Bom Dia”, como aqui se vê. É certo que a quantidade de gente é inegavelmente maior, mas não deixa de parecer um comportamento estranho.
Depois de passar um dia inteiro na cidade já na correria dos citadinos, com olheiras de pouco descanso, chega a hora de regressar à minha casa, de me sentir incomodada com as malas, livros e conversas dos outros; de não ter paciência para quem me cumprimenta na espera do autocarro, e para não deixar trespassar um breve sorriso.
E no dia seguinte, tudo se repete.
10/04/05 às 14:25
Como sempre um grande texto da pacithapis.. esta miuda tem um jeito p a escrita… ai ai! mto bom! acho que explicas mesmo mto bem, nao só o teu dia-a-dia, como tambem o de muitos outros jovens q trabalham/estudam em Lisboa!!
Nao ha nada como o nosso lar!
11/04/05 às 21:38
“E ainda me divirto mais com as conversas que circulam no ar (especialmente sobre polÃtica- o Estado é isto, o Salazar era aquilo, a crise é assim, o PS é bom porque o lÃder é “jeitosoâ€, a união europeia é uma “robalheiraâ€â€¦nada que não mereça um sorriso irónico). - isto ainda nos subúrbios de Lisboa, pois nota-se perfeitamente o ambiente ainda familiar.”
A partir daqui deixei de ler… mas sim claro k eh um abuzo as viagens… mas ou eh isso ou ir arrumar carros…
14/04/05 às 16:15
O mais estranho para quem vai todos os dias para lx e já anda nisto á mts anos, é que na altura de férias escolares, simplesmente não há filas de trânsito …. Porque será ?
O mais estranho é que não é preciso ser estudante para lidar com isso todos os dias… aliás quem trabalha também leva a sua parte desse “mundo”….
E para quem só conhece Lisboa, perguntem a um espanhol ou a um nova-iorquino o que é andar em Lisboa, que eles irão vos responder com uma cara de menino feliz com a qualidade de vida que Lisboa lhes porpociona……
Nem tudo é mau…
16/04/05 às 22:10
O cenário que descreveste já é pra mim normal, desde os meus 4 meses de idade que frequento colégios e estudo em lx, daà que axe mais estranhu as pexoas aki falarem-se umas as outras quando paxam na rua, do k o contrario.. ixtu pk cm a minha vida sp foi feita + em lx do que em sjt (apesar de sp ter aki morado), conheço mt melhor e estou mais habituada ao modo de vida de lisboa do que de são joão da talha…