Eu vi um sapo

Sou frequentador de muitos cafés cá da zona como muitos de vós também serão. Gosto de começar o dia com um pequeno-almoço na Torp e depois de almoço um café na Figueira em Flor enquanto leio o jornal. Se ainda tiver possibilidade, depois de jantar dois dedos de conversa com os amigos num bar qualquer. E a ver pela quantidade de estabelecimentos que temos e a afluência que têm não sou o único com estes hábitos. Neste tempo que passo na mesa de um café, bar ou restaurante gosto de olhar à minha volta e ver os quadros que estão na parede, a máquina de café, a arca dos gelados, os bolos de aniversário, as batatas fritas, as pastilhas, o pão e tudo o resto que é característico destes cenários. Há contudo um elemento no meio desta miscelânea taberneira que só pode ser compreendido à margem da mitologia prosaica, um pouco como os gatos pretos. Quase sempre à entrada ou visível da porta, sentado, com olhos grandes e sempre, sempre verde. É o sapo! Não aquele que acelera numa mota pela casa nem o cocas da Rua Sésamo mas antes um simples sapo verde. Segundo o senso comum, o sapo é sinal de azar para as pessoas da etnia cigana e, segundo o mesmo mais comum dos sensos, estar numa sala onde está um sapo é um mau presságio. Verdade ou não, pouco importa para os lojistas que enchem as suas lojas com estes simpáticos animais geralmente de loiça. E ao que parece esta não é uma ideia nova dos comerciantes de São João da Talha. Na Avenida do Brasil esta moda foi mesmo notícia no Correio da Manhã causando polémica no Blog “Barnabé”. Como se pode ler no artigo do CM, o sapo é “uma superstição levada muito a sério e que os pais passam aos filhos. Para o povo cigano, o sapo simboliza o mal e a discórdia e ‘dá’ azar e infelicidade às famílias”. E se para nós o sapo é um animal inofensivo para esta comunidade, que conta já com cerca de 50 mil pessoas no País, esta superstição é levada muito a sério. “Os ciganos evitam a todo o custo cruzarem-se com um sapo, um pouco como acontece com quem tem receio do gato preto, mas de uma forma mais intensa. O próprio confronto com a palavra, mesmo que escrita, motiva preocupação” pode ainda ler-se no Correio da Manha.
Agora, sempre que vou a um café que ainda não conheço procuro sempre pelo sapo de olhos grandes, sentado, verde e inofensivo. Não porque me sinta mais seguro mas porque esta é talvez a medida de segurança mais original que alguma vez vi. E quando o encontro sei que estou em São João da Talha.

6 respostas para 'Eu vi um sapo'

  1. Topanga Diz:

    Looooool
    Eu ja conhecia essa surprestiçao dos ciganos, mas nao tinha ideia de haver por aqui lojas com sapos.. que engraçado.. tenho de começar a reparar mais nisso!!

  2. pacithapis Diz:

    por acaso há mesmo montanhas deles aí espalhados, e pelos vistos resulta mesmo!! :p Só mesmo em Sjoão :P

  3. Buh Diz:

    É verdade é verdade! Ate a escola de sj tem um sapo! Aqui em sj é assim qual armas qual que, isso é muito violento, nos temos sapos!!! :D

  4. broini Diz:

    O sapo tem uma forte presença em bruxedos. Segundo eu li numa revista e na conversa com pessoas mais conhecedoras deste assunto, o sapo é usado em feitiços como eles designam alguns muito poderoso, que inclusivé pode levar a morte de uma pessoa, daí o povo de etnia cigana ter medo dos sapos, e nós sem o saber porque deles terem receio pormos sapos por tudo e por nada nos cafés, restaurantes, papelarias, enfim tudo!!
    Dando em muitos casos bons resultados… Agora penso eu, e se colocassemos uns quantos sapos no meio do acampamento dos Lelos!! Era no mínimo interessante…Não?!

  5. broini Diz:

    E já agora, Senhor OpenMind eu queria postar também, ou seja, queria editar um texto que fosse colocado aqui e que depois fosse descutido por todos….Fico a espera de novidades…

  6. Angie Diz:

    Os meus pais tb têm um sapo na loja… pudera… assaltados umas 4 x’s… lá decidiram pôr o bendito do sapo, se é por causa dele ou não, não sei, mas a verdade é que nem mais houve assaltos! * ;)

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