Arte
Publicado em 5 de Nov de 2005 por PacithapisDesde sempre que foi o canal do pop por excelência, e pela abrangência do pop, também o canal se tornou um fenómeno de audiências. Qualquer que fosse a minha opinião acerca da qualidade da música que a MTV passa, acabaria por afirmar sempre que é, de facto, uma aposta com grande sucesso que contribui para o aparecimento de novas caras na música, tendo em conta o seu carácter mais ou menos eclético dos seus variados programas. Com a MTV surgiu uma geração de seguidores de todos os eventos e de todas as caras. Essa geração, talvez influenciável, adoptou o estilo “5 minutos de fama” com toda a força, e por isso verificou-se um certo maquiavelismo nestes jovens da pop. Não importará que daqui a meia hora o seu comportamento se assemelhe a um selvagem ou a um sem escrúpulos, nem tão pouco que a roupa que se usou passe a parecer feia. Importa que ali, naquele minuto, se pareça estar na moda. Não na moda enquanto arte, mas na moda enquanto ser-se o primeiro a mostrar a influência MTV. A ser um semi pastor, diga-se. Leêm-se as revistas, ficam por ler Oscar Wilde, Kafka, Jorge Amado, e tantos outros alimentos do espírito. Compra-se a roupa, fica por comprar o meterial para a arte. Não se vive sem ouvir o último single, deixam-se os autores que não vivem para o comércio morrer.
E no fundo, a falta de senso destes rebanhos acabam por alimentar o fenómeno, e fecham-se os olhos às brechas para continuar a sonhar. Muitos deles não saberão que o público entusiasta TRL e dos espectáculos é composto por figurantes. Os que saberão, querem ser os mais MTVêscos para tentarem aparecer na caixinha mágica e destruidora.
Se pudesse caracterizar o fenómeno, considerava-os sugadores de mentes, mas filtros da sociedade: as massas serão o novo povo medieval, não porque não possam deixar de o ser ( como os últimos), mas porque estão presos nas teias do menor esforço. E enquanto a MTV e outros, chegarem aos olhos dos preguiçosos de espírito, os restantes assistirão ao colapso da verdadeira arte. A inútil, a da inconsequente, mas bela, necessidade de expressão.